TDAH PODE ROUBAR ATÉ 11 ANOS DA SUA VIDA – SAIBA COMO EVITAR

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade TDAH é muito mais do que um problema de concentração na infância. Estudos recentes mostram que ele está diretamente ligado a uma redução significativa na expectativa de vida. Essa descoberta tem levantado preocupações na comunidade científica e reforça a necessidade de diagnóstico e tratamento adequados ao longo da vida.

TDAH REALMENTE REDUZ A EXPECTATIVA DE VIDA?

Uma pesquisa publicada no British Journal of Psychiatry analisou dados de mais de 30 mil adultos com TDAH e comparou-os com indivíduos sem o transtorno. Os resultados indicaram que homens com TDAH vivem em média entre 4,5 e 9 anos a menos enquanto mulheres apresentam uma redução ainda maior variando de 6,5 a 11 anos. Essa diminuição é comparável a doenças crônicas graves como o tabagismo.

Mas por que isso acontece? A resposta está na combinação de fatores que afetam a saúde mental e física dos pacientes.

PRINCIPAIS FATORES QUE ENCURTAM A VIDA DE QUEM TEM TDAH

1. Comorbidades psiquiátricas

Pessoas com TDAH têm um risco muito maior de desenvolver depressão ansiedade e transtornos de personalidade. Além disso há uma prevalência aumentada de comportamentos autodestrutivos e suicídio o que impacta diretamente a mortalidade.

2. Comportamentos de risco

A impulsividade uma característica central do transtorno leva a decisões precipitadas e perigosas como direção imprudente abuso de substâncias e envolvimento em atividades de alto risco. Isso resulta em um número maior de acidentes fatais e lesões graves.

3. Problemas de saúde física

O TDAH também está associado a hábitos pouco saudáveis como sedentarismo má alimentação e maior propensão a obesidade hipertensão e diabetes. Essas condições aumentam a mortalidade por doenças cardiovasculares e metabólicas.

DIAGNÓSTICO TARDIO E FALTA DE TRATAMENTO

Apesar do impacto significativo na saúde o TDAH ainda é subdiagnosticado especialmente em adultos. Menos de 1 em cada 9 adultos com o transtorno recebe um diagnóstico formal o que significa que muitos vivem sem tratamento adequado. A falta de reconhecimento do problema impede que os pacientes adotem estratégias para reduzir os riscos à saúde.

O PAPEL DA MEDICAÇÃO NA EXPECTATIVA DE VIDA

A boa notícia é que a ciência tem mostrado que o tratamento adequado pode fazer diferença na longevidade dos pacientes. Os psicoestimulantes como o metilfenidato aumentam os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro melhorando a atenção e o controle dos impulsos.

Um estudo realizado na Suécia com quase 150 mil pessoas com TDAH revelou que o uso regular de medicação psicoestimulante reduz o risco de mortalidade em 19 por cento nos primeiros dois anos após o diagnóstico. Isso sugere que além de aliviar sintomas os medicamentos podem ter um impacto direto na sobrevivência.

POR QUANTO TEMPO O TRATAMENTO DEVE DURAR?

O tempo ideal de uso da medicação varia para cada paciente. Alguns precisam do tratamento durante toda a vida enquanto outros podem reduzir ou descontinuar os medicamentos com o tempo. Essa decisão deve ser feita com acompanhamento médico levando em conta os benefícios e possíveis efeitos colaterais.

OUTRAS ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A QUALIDADE E A EXPECTATIVA DE VIDA

Além da medicação outras abordagens têm se mostrado eficazes no tratamento do TDAH e na promoção de uma vida mais longa e saudável.

- Terapia Cognitivo-Comportamental TCC Ajuda a desenvolver habilidades para gerenciar impulsividade organizar tarefas e melhorar a autorregulação emocional. Estudos mostram que a combinação de TCC com medicação é mais eficaz do que qualquer abordagem isolada.

- Psicoeducação Ensinar pacientes e familiares sobre o TDAH reduz o estigma e melhora a adesão ao tratamento além de contribuir para um ambiente mais favorável ao desenvolvimento da pessoa com o transtorno.

- Mudanças no estilo de vida Exercícios físicos regulares alimentação equilibrada e sono de qualidade têm um impacto positivo na regulação dos sintomas e na saúde geral.

O QUE ESSES DADOS SIGNIFICAM PARA O FUTURO?

O TDAH não é apenas uma condição comportamental ou um transtorno infantil. Ele afeta toda a trajetória de vida e tem consequências reais na longevidade. Felizmente as pesquisas mostram que é possível minimizar esses impactos com um diagnóstico precoce um tratamento bem estruturado e um acompanhamento contínuo.

Se você ou alguém próximo tem TDAH a melhor decisão é buscar apoio médico especializado. O tratamento adequado pode não apenas melhorar a qualidade de vida mas também garantir que ela seja mais longa e saudável.

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